"Estuário", o novo romance de Lídia Jorge
18 Mai 2018

No mesmo dia em que chega às livrarias, na terça-feira, dia 22 de maio, vai também ser apresentado, por Almeida Faria, às 18h30, na Livraria LeYa na Buchholz, em Lisboa, o novo romance de Lídia Jorge, Estuário, que surge quatro anos depois de Os Memoráveis, por muitos considerada como a grande obra de ficção literária sobre o 25 de Abril.


“Pensei neste livro enquanto escrevia o final de  Os Memoráveis. Queria escrever a história de uma família que resistia à adversidade, tentando cada um esconder a sua vida privada aos outros. Seriam vidas paralelas de resistência, e todas elas tinham em comum o facto de serem figuras prometaicas anónimas. Quis que este Estuário fosse o símile do local por onde corre o rio das histórias, que se retêm por uns instantes na brancura das páginas, antes de desaparecerem no esquecimento”, confidenciou Lídia Jorge que, por outro lado, estará na Feira do Livro de Lisboa nos dias 9 e 10 de Junho, pelas 16h30, para conviver com os leitores e  autografar esta e toda a sua restante obra.


Em Estuário, o leitor é confrontado com a história de Eduardo Galeano, personagem que andou pelo mundo, integrado numa missão humanitária e voltou à casa do pai sem parte da mão direita. Regressou com uma experiência para contar e uma recomendação a fazer por escrito, e na elaboração desse testemunho passou a ocupar por completo os seus dias. Porém, ao encontro deste irmão mais novo da família, vêm ter sem remédio as vicissitudes diárias que desequilibram a grande casa do Largo do Corpo Santo. Edmundo vai-se apercebendo, então, que as atribulações longínquas mantêm uma relação directa com as batalhas privadas que são travadas a seu lado. E a sua mão direita, desfigurada, transforma-se numa defesa da invenção literária perante a crueza da realidade.


Em outros dos seus livros costuma Lídia Jorge dar rosto à modernidade para dela desocultar os seus efeitos escondidos. Mas neste caso promete mais. Estuário pertence à categoria dos livros de premonição, através do enlace entre o desenho do futuro e a Literatura.


Lídia Jorge estreou-se com a publicação de O Dia dos Prodígios, em 1980, um dos livros mais emblemáticos da literatura portuguesa pós-revolução. Desde então tem publicado vários títulos nas áreas do romance, conto, ensaio e teatro.  Em 1988, A Costa dos Murmúrios abriu-lhe as portas para o reconhecimento internacional, tendo sido posteriormente adaptado ao cinema por Margarida Cardoso. Entre muitos outros, são de realçar títulos como O Vale da Paixão, O Vento Assobiando nas Gruas, Combateremos a Sombra ou Os Memoráveis, obra que tem sido considerada como uma poderosa metáfora da deriva portuguesa das últimas décadas. Aos seus livros têm sido atribuídos os principais prémios nacionais, alguns deles pelo conjunto da obra, como o Prémio da Latinidade, o Grande Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores – Millenium BCP, ou mais recentemente o Prémio Vergílio Ferreira de 2015. No estrangeiro, entre outros, Lídia Jorge venceu em 2006 a primeira edição do prestigiado prémio ALBATROS da Fundação Günter Grass e, em 2015, o Grande Prémio Luso-Espanhol de Cultura.

 

 
Rua Cidade de Córdova, 2 (mapa)
2610 - 038 - Alfragide
Portugal

Telefone: +351 21 427 22 00
Telefone de texto para surdos: +351 21 427 22 73
Fax: +351 21 427 22 01

© 2008 - Leya - Todos os direitos reservados | Política de privacidade