Livro da principal testemunha do processo "Casa Pia" já nas livrarias
18 Nov 2010

 

Sessão de lançamento no dia 25 de Novembro, às 21h, na livraria LeYa na Barata, em Lisboa. A apresentação será feita pela Dra. Catalina Pestana.

 

O livro "Uma Dor Silenciosa", da autoria de Francisco Guerra, considerado a principal testemunha dos processos Casa Pia, chegou ontem (quinta-feira, 18 de Novembro) às livrarias portuguesas. Francisco Guerra é a única testemunha que esteve envolvida em todos os processos, que deram origem a inúmeras acusações contra diversas figuras conhecidas do público. (+) O autor, que tem estado em silêncio junto da opinião pública até hoje, relata a sua vida desde que foi retirado da família e conta os detalhes que revelou à Polícia Judiciária, procuradores e magistrados, ao longo dos últimos oito anos. Publicado pela Livros d’Hoje, o livro pretende ser esclarecedor para a opinião pública no que diz respeito a este caso e aos abusos e pressão a que as vítimas foram sujeitas.

 

Excertos de "Uma Dor Silenciosa"

 

«Desde os anos 70, pelo menos, que está activa também em Portugal uma rede internacional de pedofilia que envolve as crianças e os adolescentes da Casa Pia. No nosso país há personalidades do mundo da política, do futebol, empresários e artistas, alguns deles ainda no activo e outros não, que estão implicados na rede. Agora, por causa do processo, todos esses pedófilos e os seus cúmplices estão quietos. Mas a rede não foi desmantelada. Em lugares-chave da Casa Pia estão funcionários que dentro de um ou dois anos, tenho a certeza, activarão mais uma vez este polvo medonho porque, cá fora, estão os pedófilos que nunca foram a tribunal e que continuarão a querer crianças por perversão. Infelizmente, eu sou apenas um empregado de mesa, sem dinheiro. Não tenho quem me proteja e não tenho quem me defenda. Preocupo-me com o que possa acontecer no futuro às crianças que estão na Casa Pia e a outras crianças portuguesas que, não sendo alunas da Casa Pia, também poderão ser apanhadas nesta rede, como aconteceu no passado.»

 

«Conto a minha história por três razões: a primeira de todas é para que a Casa Pia não seja esquecida e não deixe de estar na mira do país inteiro e, sobretudo, de quem deve zelar por ela […]; em segundo lugar, para que toda a gente saiba a verdade sobre o que realmente se passou; em terceiro, e esta é a menos importante das três razões, porque talvez seja uma maneira de eu conseguir encerrar um capítulo muito triste e muito doloroso da minha vida. Embora saiba que nunca conseguirei esquecer o que se passou...»

 

Francisco Guerra in “Uma Dor Silenciosa”

 

Sobre o autor

 

Francisco Guerra nasceu na Damaia a 27 de Outubro de 1985. Foi retirado da guarda da família com cerca de cinco anos, idade em que é recebido, pela primeira vez, numa instituição de solidariedade social: o Lar Evangélico Português, em Águas Santas. Uns anos mais tarde é transferido para a Casa Pia de Lisboa, onde chega no dia 4 de Maio de 1998. Fica instalado no Lar Alfredo Soares e aí passa alguns dos anos mais difíceis da sua juventude, por ser vítima de diversos abusos sexuais. Esta situação culmina com o início do processo Casa Pia, que incrimina várias pessoas da própria instituição, bem como da vida pública portuguesa. Francisco Guerra conta à Polícia Judiciária o que sabe sobre o assunto, tendo em conta o seu suposto envolvimento no caso, acabando por ser considerado, pela Polícia Judiciária e pelo Ministério Público, uma das principais testemunhas do processo. Hoje em dia trabalha como empregado de mesa e, em simultâneo, estuda canto. O seu sonho é tornar-se tenor e levar a sua música aos outros. 

 
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