17 fevereiro 2025
A icónica Livraria Buchholz, um dos mais emblemáticos espaços culturais de Lisboa, passa a integrar o programa "Lojas com História" da Câmara Municipal de Lisboa. Este reconhecimento valoriza a relevância histórica e cultural deste espaço que, desde 1943, tem sido um epicentro literário e artístico da cidade.
O programa "Lojas com História" tem como objetivo salvaguardar e promover os estabelecimentos comerciais que, pelo seu património, contribuem para a identidade cultural, económica e histórica da cidade. “A Livraria Buchholz sempre foi mais do que um espaço de venda de livros; é um ponto de encontro da cultura em Lisboa. A integração da Livraria Buchholz no programa 'Lojas com História' é um reconhecimento merecido para um espaço que há 80 anos contribui para a elevação da vida quotidiana na cidade, enquanto referência nas áreas da literatura, da arte e do conhecimento. Com este reconhecimento, reafirmamos o nosso compromisso em manter a Buchholz como um polo cultural dinâmico, acessível e relevante para Lisboa”, refere Ana Rita Bessa, CEO da LeYa.
Um Refúgio Cultural com 82 anos
A história da livraria remonta à Segunda Guerra Mundial, quando Karl Buchholz, um livreiro judeu alemão, se refugiou em Lisboa, depois de ver o seu negócio em Berlim destruído pelos bombardeamentos. Em 1943, abriu as portas da Buchholz na Avenida da Liberdade, com um acervo diversificado, incluindo a rara oferta de livros em línguas estrangeiras e o comércio de obras de arte. Na década de 1960, estabelecer-se-ia nas instalações atuais, três pisos forrados a livros, a madeira e a histórias da cidade, unidos por uma escada em caracol.
Desde a fundação, a Buchholz tornou-se ponto de encontro de uma elite intelectual estabelecida e de outra em vias de o ser, dos estudantes e jovens artistas, aos políticos, escritores e jornalistas. Eram clientes habituais Mário Soares, Diogo Freitas do Amaral, Francisco Sá Carneiro, José Cardoso Pires, David Mourão-Ferreira, Vergílio Ferreira, Fernando Assis Pacheco, Vasco Graça Moura, Helena Almeida, Al Berto e Nuno Júdice, apenas para referir alguns.
A livraria faz também parte das vidas de Marcelo Rebelo de Sousa, Francisco Pinto Balsemão, Marcello Mathias, Jaime Gama, António Barreto, António Lobo Antunes, José Pacheco Pereira e Irene Flunser Pimentel. Foi ainda aqui que, na década de ‘80, num encontro fortuito entre Miguel Esteves Cardoso e Paulo Portas, surgiu a ideia para a criação do semanário O Independente.
Em 2009, a Buchholz entrou para o grupo LeYa. E se em 2017, 2018 e 2019 foi eleita livraria favorita dos portugueses, em 2023, por ocasião dos 80 anos de vida, apresentou-se renovada, com uma aposta atenta na literatura, incluindo livros em inglês e em francês, na venda de discos em vinil (através de uma parceria com a Flur Discos, considerada a melhor discoteca de Lisboa pelo Financial Times) e de arte portuguesa (com curadoria da Icon Shop, sedeada no Chiado).
À imagem dos anos 60 e 70, em que promovia na Galeria exposições e encontros de jovens artistas, como Helena Almeida, Mário Cesariny e José Escada, desde 2023 que a Buchholz oferece à cidade uma programação cultural cada vez mais fresca e variada, com exposições, concertos, podcasts ao vivo, clubes de leitura, conversas e lançamentos de livros. Para março, e por ocasião dos 10 anos do seu desaparecimento, está ainda agendada uma mostra de peças raras relacionadas com um dos maiores e mais misteriosos nomes da poesia portuguesa dos séculos XX e XXI, Herberto Helder.
“Nos últimos anos, a LeYa tem desenvolvido um programa cultural que mostra a vitalidade deste espaço histórico. Queremos garantir que este património será protegido e valorizado para as gerações futuras”, reforça Ana Rita Bessa.
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